{"id":329,"date":"2017-03-14T17:34:46","date_gmt":"2017-03-14T17:34:46","guid":{"rendered":"http:http:parps.pt\/\/?p=329"},"modified":"2017-03-14T17:34:46","modified_gmt":"2017-03-14T17:34:46","slug":"revisao-de-sentenca-estrangeira-decisao-arbitral-ordem-publica-indemnizacao-de-clientela-pressupostos-norma-imperativa-conhecimento-oficioso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/parps.pt\/it\/revisao-de-sentenca-estrangeira-decisao-arbitral-ordem-publica-indemnizacao-de-clientela-pressupostos-norma-imperativa-conhecimento-oficioso\/","title":{"rendered":"REVIS\u00c3O DE SENTEN\u00c7A ESTRANGEIRA. DECIS\u00c3O ARBITRAL. ORDEM P\u00daBLICA. INDEMNIZA\u00c7AO DE CLIENTELA. PRESSUPOSTOS. NORMA IMPERATIVA. CONHECIMENTO OFICIOSO."},"content":{"rendered":"<p>Supremo Tribunal de Justi\u00e7a<\/p>\n<p>Data do Acord\u00e3o: 23-10-2014<\/p>\n<p>Relator: GRANJA DA FONSECA<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>I &#8211; \u00c0 revis\u00e3o de senten\u00e7a arbitral proferida por tribunal arbitral sedeado em Estado que haja subscrito a Conven\u00e7\u00e3o de Nova Iorque sobre o Reconhecimento e Execu\u00e7\u00e3o de Senten\u00e7as Arbitrais Estrangeiras de 1958 aplica-se primordialmente este tratado internacional, estando o tribunal estadual portugu\u00eas, a quem \u00e9 pedido o reconhecimento da mesma, adstrito a recus\u00e1-lo quando oficiosamente constate que o resultado a que se chegou naquela decis\u00e3o contraria a ordem p\u00fablica internacional do Estado Portugu\u00eas.<\/p>\n<p>II &#8211; O conceito de ordem p\u00fablica internacional \u00e9 vago, flu\u00eddo e impreciso mas, numa aproxima\u00e7\u00e3o com escopo meramente operativo, podemos, para o efeito assinalado em I, design\u00e1-la como uma am\u00e1lgama de valores basilares e concep\u00e7\u00f5es dominantes de \u00edndole social, \u00e9tica, pol\u00edtica e econ\u00f3mica expressos em princ\u00edpios e regras que o aplicador deve, em cada momento hist\u00f3rico, interpretar e reconhecer a fim de apreciar se os mesmos se podem ter como afrontados pelo resultado a que se chegou na senten\u00e7a arbitral revidenda.<\/p>\n<p>III &#8211; A contrariedade \u00e0 ordem p\u00fablica internacional do Estado Portugu\u00eas avalia-se em fun\u00e7\u00e3o do efeito jur\u00eddico a que a decis\u00e3o arbitral conduz, irrelevando os fundamentos em que ela se ateve.<br \/>\nIV &#8211; O reconhecimento do direito \u00e0 indemniza\u00e7\u00e3o de clientela prevista no artigo 33\u00ba do Decreto-Lei n.\u00ba 178\/86 de 3 de Julho a um concession\u00e1rio assenta numa analogia que n\u00e3o prescinde da averigua\u00e7\u00e3o concreta das circunst\u00e2ncias de cada caso, pelo que, sem mais, n\u00e3o se pode considerar que o direito portugu\u00eas outorga \u00e0quele tal benef\u00edcio, o que equivale por dizer que o facto de n\u00e3o se lhe conceder tal compensa\u00e7\u00e3o n\u00e3o se revela manifestamente intoler\u00e1vel \u00e0 luz da ordem p\u00fablica internacional do Estado Portugu\u00eas.<br \/>\nV &#8211; Sendo invi\u00e1vel, a partir dos factos apurados, considerar que a recorrente estava em condi\u00e7\u00f5es de preencher os pressupostos que t\u00eam sido avan\u00e7ados para efectuar essa equipara\u00e7\u00e3o, n\u00e3o se pode concluir que afronta a ordem p\u00fablica internacional do Estado Portugu\u00eas uma decis\u00e3o arbitral em que n\u00e3o se lhe reconheceu o direito a uma indemniza\u00e7\u00e3o clientela.<br \/>\nVI \u2013 Muito embora o artigo 33\u00ba do Decreto-Lei n.\u00ba 178\/86 de 3 de Julho deva ser considerado como uma norma imperativa \u2013 e, como tal, integrante da ordem p\u00fablica nacional &#8211; tal constata\u00e7\u00e3o n\u00e3o implica, em aten\u00e7\u00e3o ao seu fundamento ou \u00e0 natureza da indemniza\u00e7\u00e3o de clientela, que a sua desaplica\u00e7\u00e3o pela decis\u00e3o arbitral \u2013 por invoca\u00e7\u00e3o de outra norma escolhida pelas partes e por outras raz\u00f5es \u2013 conflitue com a ordem p\u00fablica internacional do Estado Portugu\u00eas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.dgsi.pt\/jstj.nsf\/954f0ce6ad9dd8b980256b5f003fa814\/5b7762ab568fa1b080257d7a005445ca?OpenDocument\" target=\"_blank\">Texto integral.<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Supremo Tribunal de Justi\u00e7a Data do Acord\u00e3o: 23-10-2014 Relator: GRANJA DA FONSECA &nbsp; I &#8211; \u00c0 revis\u00e3o de senten\u00e7a arbitral proferida por tribunal arbitral sedeado em Estado que haja subscrito a Conven\u00e7\u00e3o de Nova Iorque sobre o Reconhecimento e Execu\u00e7\u00e3o de Senten\u00e7as Arbitrais Estrangeiras de 1958 aplica-se primordialmente este tratado internacional, estando o tribunal estadual [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/parps.pt\/it\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/329"}],"collection":[{"href":"https:\/\/parps.pt\/it\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/parps.pt\/it\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/parps.pt\/it\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/parps.pt\/it\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=329"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/parps.pt\/it\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/329\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":330,"href":"https:\/\/parps.pt\/it\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/329\/revisions\/330"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/parps.pt\/it\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=329"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/parps.pt\/it\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=329"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/parps.pt\/it\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=329"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}